Simples Nacional 2027: novo prazo de opção exige planejamento das empresas em 2026
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A Reforma Tributária começa a exigir decisões importantes das empresas ainda em 2026. Uma delas envolve diretamente quem pretende ingressar no Simples Nacional em 2027.
Diferentemente do que ocorria tradicionalmente, quando a opção pelo regime era realizada em janeiro, as empresas que desejarem ingressar no Simples Nacional em 2027 deverão se antecipar: o período de opção será de 1º a 30 de setembro de 2026.
A alteração foi estabelecida pela Resolução CGSN nº 186/2026, do Comitê Gestor do Simples Nacional, e torna o planejamento tributário ainda mais importante para empresas que avaliam mudar de regime ou precisam organizar sua situação para o próximo ano.
E o planejamento não termina aí. Com a entrada do IBS e da CBS, as empresas também precisarão avaliar os impactos da nova sistemática tributária sobre custos, preços, créditos e relações comerciais.
Por isso, 2026 será um ano importante para revisar números, regularizar eventuais pendências e preparar as decisões tributárias de 2027 com mais segurança.
Setembro será decisivo para o Simples Nacional em 2027
Para produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027, a opção pelo Simples Nacional deverá ser formalizada entre 1º e 30 de setembro de 2026, desde que a empresa atenda aos requisitos necessários para o enquadramento no regime.
A nova regra muda o calendário com o qual muitos empresários estavam acostumados. Na prática, uma decisão que tradicionalmente ficava concentrada no início do ano passa a exigir preparação ainda no exercício anterior.
A norma também prevê a possibilidade de cancelamento da opção até o último dia de novembro de 2026. É importante observar, porém, as condições e os efeitos desse cancelamento, já que a decisão deverá ser analisada com cuidado antes de sua formalização.
Já as empresas constituídas entre 1º de outubro e 31 de dezembro de 2026 seguem regra específica. Nesses casos, a opção deverá ocorrer no momento da inscrição no CNPJ, observadas as condições previstas para ingresso no Simples Nacional.
Eventuais pendências fiscais, cadastrais ou contábeis podem exigir providências prévias. Quanto antes a empresa revisar sua situação, maior será o tempo disponível para corrigir inconsistências e avaliar se o Simples Nacional realmente é a alternativa mais adequada para 2027.
O que sua empresa deve revisar antes da opção?
Estar apto a ingressar no Simples Nacional é apenas uma parte da decisão.
Também é necessário avaliar se o regime faz sentido diante da realidade econômica e operacional da empresa.
Antes de formalizar a opção, é recomendável analisar:
regularidade de débitos federais, estaduais e municipais;
situação cadastral e eventuais impedimentos aplicáveis à empresa;
pendências fiscais, contábeis e obrigações acessórias;
faturamento atual e projeção de receitas para 2027;
atividades desenvolvidas e possibilidade de enquadramento no regime;
estrutura de custos, despesas e folha de pagamento;
margem da operação;
perfil dos clientes; e
impactos tributários e comerciais da escolha do regime.
Essa análise é importante porque estar autorizado a optar pelo Simples Nacional não significa, necessariamente, que ele será a alternativa mais vantajosa para todos os negócios.
O regime tributário deve ser avaliado considerando os números e as características específicas de cada empresa.
IBS e CBS trazem uma nova análise para as empresas do Simples
Além de avaliar o ingresso ou a permanência no Simples Nacional, as empresas precisarão considerar uma nova decisão trazida pela Reforma Tributária: como será feito o recolhimento do IBS e da CBS a partir de 2027.
A legislação da Reforma Tributária prevê tratamento específico para as empresas optantes pelo Simples Nacional, permitindo, conforme as regras aplicáveis, a manutenção desses tributos dentro da sistemática do regime ou a opção pela apuração do IBS e da CBS pelo regime regular.
Essa escolha não deve ser automática.
Será necessário considerar características como faturamento, estrutura de custos, margem, operações realizadas e perfil dos clientes para compreender os possíveis efeitos de cada alternativa.
Empresas que vendem para outras empresas precisam de atenção especial
Um dos pontos que merece atenção está relacionado aos créditos de IBS e CBS.
Para empresas que vendem produtos ou prestam serviços principalmente para outras pessoas jurídicas, o tratamento dos créditos pode influenciar a dinâmica comercial da operação.
Isso acontece porque, no novo modelo tributário, a possibilidade e a forma de apropriação de créditos pelo cliente podem se tornar elementos relevantes na relação entre empresas.
Na prática, dependendo das características da operação, a escolha sobre o tratamento do IBS e da CBS poderá ter reflexos na formação de preços, na negociação com clientes e na competitividade.
Isso não significa que recolher IBS e CBS pelo regime regular será necessariamente mais vantajoso para empresas B2B.
A resposta dependerá da cadeia em que a empresa está inserida, dos créditos envolvidos, de sua estrutura de custos, do perfil dos clientes e de outros elementos da operação.
Por isso, a decisão deve ser precedida de análise e, sempre que possível, de simulações.
A transição do ISS para o IBS também merece acompanhamento
Para as empresas prestadoras de serviços, outro ponto relevante da Reforma Tributária será a substituição gradual do ISS pelo IBS.
Essa mudança não acontecerá de uma única vez em 2027. Ela integra o período de transição previsto pela Reforma Tributária e ocorrerá progressivamente.
Mesmo assim, seus efeitos precisam começar a ser acompanhados com antecedência.
Ao longo da transição, as empresas poderão precisar revisar aspectos como:
formação de preços;
contratos com clientes e fornecedores;
cadastros de produtos e serviços;
sistemas de gestão e faturamento;
emissão de documentos fiscais;
parametrizações tributárias; e
projeções financeiras.
Mais do que acompanhar novas alíquotas ou obrigações, será necessário entender como a mudança tributária interfere na operação e nas decisões comerciais da empresa.
O que fazer ainda em 2026?
A antecipação do prazo transforma 2026 em um período de preparação para as decisões que produzirão efeitos em 2027.
Por isso, algumas providências podem ser iniciadas antes de setembro:
Revisar a situação fiscal e cadastral da empresa, identificando eventuais pendências.
Projetar faturamento, custos e folha de pagamento para 2027.
Comparar os regimes tributários aplicáveis, considerando as características reais do negócio.
Avaliar os possíveis impactos do IBS e da CBS, inclusive sobre créditos, preços e clientes.
Realizar simulações tributárias, quando aplicável, antes de tomar a decisão.
Acompanhar a regulamentação da Reforma Tributária, pois o período de transição ainda exige atenção às normas e procedimentos que disciplinam sua implementação.
A informação antecipada permite que a empresa tenha tempo para analisar alternativas, corrigir inconsistências e tomar decisões com base em números, e não apenas na proximidade de um prazo.
Planejamento tributário ganha ainda mais importância
A mudança no calendário do Simples Nacional mostra um aspecto importante da Reforma Tributária: seus efeitos não começam apenas quando os novos tributos passam a ser recolhidos.
Para algumas empresas, o Simples Nacional continuará sendo uma alternativa adequada. Para outras, as mudanças trazidas pelo IBS e pela CBS poderão justificar uma análise mais aprofundada do regime tributário e da própria estrutura da operação.
Não existe uma resposta única para todos os negócios.
O caminho mais seguro é compreender a realidade da empresa, projetar cenários e tomar a decisão com antecedência.
A Thondorf Consultoria Contábil acompanha as atualizações da Reforma Tributária e pode auxiliar sua empresa na revisão de pendências, na avaliação do Simples Nacional e na análise dos impactos do IBS e da CBS para 2027.
A informação certa traz tranquilidade e direção. E quanto mais cedo sua empresa se preparar, maior será a capacidade de tomar decisões tributárias com segurança.
Se precisar de orientação para avaliar como essas mudanças podem afetar o seu negócio, estamos aqui para ajudar.
Thondorf Consultoria Contábil
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